Descrição

Uma das qualidades da boa poesia é inovar, dialogar com diferentes linguagens e explorar imagens. Muito mais do que um livro de um livro de poesia, “Passagem”, do poeta e artista multimídia lagunense Raul Silter, promove com maestria o encontro entre os versos, a fotografia, o design e a musicalidade.
No texto literário propriamente dito, encontramos versos como: “A mira que marca a testa / O tiro que passa fresta / Rente à tábua da casa / Desce os dois degraus da escada / E acerta em cheio meu vazio / Por nada”. É poesia de tiro certeiro, que aponta e atinge o alvo ao mostrar que, num país de perversos contrastes, a crueza da violência não está dissociada das questões sociais.
Multiartista
Com referências artísticas que vão de Raul Seixas ao punk, Raul Silter é também músico e artista visual. O videoclipe da sua canção “Ninguém Morreu”, disponível nas plataformas digitais, recebeu o prêmio de Melhor Edição no 14º FestClip – Festival de Cinema de Santa Gertrudes – SP, em 2025.
A musicalidade, além de se fazer presente na forma como Silter constrói seu texto poético, fica explícita em alusões mais diretas, como nos versos que parodiam a letra de “Mas que nada”, de Jorge Ben.
Ao flertar e estabelecer um relacionamento consistente com diversas expressões artísticas, Raul Silter traz à luz um livro complexo, enigmático, rico. Pós-moderno. Uma obra de arte, que pode ser lida e fruída de modos diversos, a partir de diferentes chaves de interpretação.








